As quinas da quadra do duque sena de terno dominam o ó.
Dominó
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Desisto
Quando penso em ser escritora, desisto, mas não deixo de escrever que desisti.
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Obviamente…
Se tamanho importasse, ele se chamaria TAAMAAANHOOOOOO.
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Dígrafos
Irrita.
Professor, atenção: aqui há pensamentos dissidentes.
Excluindo possíveis exceções, ninguém achará passivo.
Passageiro?
Baqueie aqui, paspalhão.
Partilhe conhecimentos totalmente dispensáveis.
Continue perdendo grandiosas possibilidades.
Ensine enquanto possa.
Bossa?
Queira transformar quadros consistentes.
Corroa confortos, quebre conformismos.
Conquiste mundos.
Batalhe.
Contrariado?
Imundo!
Então tampe orelhas.
Com quepe, cunhete.
Conjura-se guerra!
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3
Por que Bel foi bom com seu Pai? Seu avô com sua avó não dão nem pão pra ele. Ver sua mãe nua dói seu ego. Diz ela que dar pra uns faz bem. “Dou sim”, diz. Nem bem deu, riu. Mas ele ora uma vez por dia pra Alá. Crê que tem paz até ali. “São nós que dei sem mão”. Mas era dia sem sol, céu sem lua, mar sem sal. Ele, sem lar, sem fãs, sem voz, cai. Vai pro bar. Tem sua vez. Rum com gim: são dez num mês. Sua. Usa uma via que não soa bem. Viu boi com rãs. Fez pum. Dor nos pés. Era anu sem asa, rua com fim. Bel, sem sua mãe, não leu ata. Ler não era seu dom. “Sei que amo ela, mas sou emo: vim ver ele”. Ora: “Alá, dai nos pão. Une teu elo nem que use ímã! Meu gen mau irá, por mim, dar fim nas rés más. Uso uma lei: dai nos luz. Uma era com paz. Ame nos, meu Pai. Ara tua ala”. Ele riu: ama ela. Via sua mãe ali. Não deu nem pio. “Tem que ter paz”, diz, “Tem que ter paz”. Usa pás. Dói uma mão. Seu vôo foi bom: “Vão com Alá, que fui com Ele”. Cai. Cem nós. Não dói. Viu uma luz. Riu, por fim, com paz. Foi seu fim. Céu.
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Com licença poética
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas, o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
(dor não é amargura).
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida, é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
Adélia Prado – Bagagem
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Quatro
Moreno do primeiro andar, tira teu sapato novo e olha os dois barcos e os pássaros no horizonte distante. Sinta o vento que fez-se mar. Pois é, é de lágrima… É condicional: Paquetá!
Praco praco prum.
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Músicas
Uma semana
De todas as referências ao tempo, hoje a que mais valorizo é a semana. Não a semana que vem ou aquelas que já se foram, e sim a vivida mais recentemente. Uma semana. Tempo suficiente pra zilhares de coisas acontecerem, decisões serem tomadas, vidas modificadas. Há quem a passe esperando exclusivamente seu fim, desses tenho verdadeiro dó. Ninguém dá muito valor aos segundos, raramente aos minutos e outrora às horas. Tolice, Alice. Claro que em necessidades extremas tudo se reverte e cada milésimo de segundo é computado, ora bolas! Sete dias, uma vida, duas vidas, infindável certeza. Se um dia passa depressa demais e os anos se tornam cada vez mais curtos, porque não parar o mundo e viver intensamente ao menos uma semana? Sem problemas, sem dilemas, felicidade que emana. Viva esta semana.
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Nauseabundos
Ser jovem é motivo de cobiça: adultos saudosos e crianças apressadas não suportam a faixa etária que se situam. Contudo a juventude se demonstra gradativamente mais nauseante a cada nova geração.
Há uma distorção de conceitos. Festas e diversão de jovens têm como sinônimos bebidas, cigarro e drogas ilícitas. O amor foi substituído por beijar várias pessoas distintas, e a amizade verdadeira não é a sincera, mas a que agrada no momento. Família perdeu valor, felicidade se tornou alegria momentânea, euforia. Virou vergonhoso se banhar em um mar usando maiô – não é moda – entretanto é ousado e ridículo vestir biquíni quando se está duzentos gramas acima do peso ideal.
Novos meios de comunicação agravam ainda mais a situação. Trocam-se os sons de pássaros cantando, de ondas batendo, por ruídos e imagens digitalizadas. Emocionante. Plantar árvores? Só no mundo virtual, afinal, por que sujar as mãos na terra? É muito mais gratificante gastar tempo em busca de uma lesão por esforços repetitivos. O jovem foge da realidade, omite-se perante o mundo, vira adepto do sedentarismo. Perde, assim, capacidade de oratória, contato humano, agravando a desunião e o individualismo. Há menos filantropia, menor participação e preocupação social, mais irresponsabilidade e horas em frente a um computador.
Filosofia, sociologia, ler e fazer literatura não entusiasmam os jovens. Estes se tornam nauseabundos, cômodos, passivos. Entre a flor e a náusea são náusea. É feia. Mas é a juventude.
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